Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick.

article-3869Olá leitores! Finalmente consegui terminar a minha primeira leitura importante de 2017!

Já vi que este ano vai ser bem complicado manter o ritmo de 2016. Os tios estão cheios de coisas para ver no Netflix, de jogos de tabuleiro para jogar… O bom é que vamos falar sobre isso tudo por aqui também!

Então a tendência é que os posts fiquem menos frequentes, mas, para compensar, o conteúdo será mais variado.

E não se esqueçam de seguir o Instagram do blog (/guloseimasnerds)! Lá postamos aquelas coisas do dia a dia, que são mais rápidas de compartilhar com vocês.

Então, vamos ao assunto do post!


Alerta: esse post pode conter alguns spoilers não relevantes.


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Mais uma vez trago uma obra do doidinho do de um dos autores mais geniais que conheço, que é o Philip K. Dick (PKD). Talvez ele esteja conquistando o um posto mais importante dentre meus autores favoritos. Já falei sobre ele em outras ocasiões aqui no GN, se quiser (re)ler, basta seguir os links:

O cenário de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? é um planeta Terra destruído por uma guerra atômica e que, por isso, ficou coberto por uma poeira radioativa. Cidades totalmente degradadas, um ambiente tão hostil que só sobrou à humanidade imigrar e colonizar outros planetas, já que nesse futuro alternativo sobraram pouquíssimos recursos para a sobrevivência.

Perguntar “sua ovelha é genuína?” seria, possivelmente, uma quebra na etiqueta pior do que indagar se os dentes de um cidadão, seu cabelo ou seus órgãos internos eram autênticos.

Para isso foi necessário dividir as pessoas “naturais” em duas categorias: os humanos e os “especiais” que, por suas vez, foram divididos em cabeças de galinha e cabeças de formiga. Além dos humanos, existem os androides, ou andys, que são tão idênticos às pessoas naturais, que são necessários certos tipos de estratégia para diferenciá-los dos humanos.

Uma vez classificado como Especial, um cidadão, mesmo que aceitasse ser esterilizado, era excluído dos registros da história. Efetivamente, ele cessava de fazer parte da humanidade.

Nesse contexto está Rick Deckard, um caçador de recompensas de segunda classe que sonha possuir uma ovelha que não seja elétrica, e ele vai fazer o possível para ao menos tentar realizar esse sonho. E o destino ora ajuda, ora atrapalha.

Aquele foi o incentivo crucial para a emigração: o serviçal androide como cenoura, a precipitação radioativa como chibata.

Como em toda obra do PKD, existe um aspecto religioso envolvido, em Androides Sonham… a religião é representada pelo mercerismo, que dá importância a um valor moral importante para o entendimento da obra e as pessoas o buscam por meio de uma conexão bem peculiar com Wilbur Mercer. Essa conexão é um ponto de toque do metafísico com o real, quando o autor faz a sua costumeira distorção e que gera perguntas fundamentais: o que é a realidade? Qual a sua natureza? Qual é a minha realidade e qual é a sua natureza?

Empatia, evidentemente, existia apenas na comunidade humana, ao passo que inteligência em qualquer grau poderia ser encontrada em todo filo ou ordem biológica, incluindo os aracnídeos.

cropped-a1hncw4uptl.jpgNão há explicação sobre a origem ou quem foi Mercer, mas isso não é importante, pois esse momento faz parte do passado no tempo retratado pelo autor. O importante é que ele está presente e determina certas ações das pessoas. Também não explica o processo de criação e desenvolvimento dos andys – pelo mesmo motivo, creio eu -, como Aldous Huxley fez em Admirável Mundo Novo ao detalhar como é feita a reprodução humana naquela realidade alternativa.

No mercerismo, o mal absoluto puxava o manto surrado do cambaleante ancião que ascendia, porém nunca esteve claro quem ou o que seria a presença do mal. Um mercerita sentia o mal sem compreendê-lo.

Também não consegui identificar um sistema autoritário onipresente e onisciente, que seja bem definido, como ocorre em 1984 e Fahrenheit 451. Apesar de mais ameno, ele existe e é suficiente para gerar os questionamentos que PKD propõe. Tudo o que sabemos é que esses sistema segregou as pessoas no passado e em função da guerra e mandou parte delas para as colônias. Em Androides Sonham… PKD retrata as consequências disso tudo.

Além do mais, hoje ninguém lembrava o motivo da guerra ou quem, se é que alguém, tinha vencido. A Poeira que havia contaminado a maior parte da superfície do planeta não tinha surgido em nenhum país em particular e ninguém, nem mesmo os inimigos de guerra, havia planejado isso.

Outra coisa que está sempre presente na obra de PKD é a droga, ou algo que o valha. Em Androides Sonham… ela é representada pelo sintetizador de ânimo Penfield, que dá a “tônica do dia” aos personagens.

É uma obra divertida, engraçada em alguns momentos por conta de Isidore, e com os típicos questionamentos fundamentais que PKD provocou em suas obras. Fácil e rápido de ler (apesar de eu ter demorado muito mais que o necessário…), é “O” livro para quem quer começar a ler os livros do autor.

Quem gosta de cenários cyberpunks, com armas a laser, tecnologias como telefonia móvel, vídeo conferência, carros voadores e inteligência artificial, é interessante ler para conhecer como as pessoas imaginavam isso tudo há meio século atrás… O curioso é que PKD criou uma inteligência artificial orgânica e intelectualizada, com uma certa consciência moral, que está muito mais avançada que a que conhecemos hoje em dia, ou seja, não é só uma inteligência programada, mas que também está intrínseca ao funcionamento e existência dos organismos e das coisas.

Androides sonham?, Rick se perguntou. Evidentemente; é por isso que de vez em quando eles matam seus patrões e fogem para cá. Uma vida melhor, sem servidão.

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Quem chegou ao parágrafo anterior e viu Westworld, o seriado fantástico produzido pela HBO vai encontrar muitas “coincidências”, afinal, na arte nada se cria do zero, mas se adapta, se transforma e pode resultar em algo maravilhoso. Pretendemos falar sobre ele aqui no blog!

Você tem que estar com outras pessoas, ele pensou. Para que possa se considerar vivo.

20132048Importante lembrar também que várias obras de PKD deram origem a filmes e séries. Com Androides Sonham… não poderia ser diferente. O livro baseou Blade Runner, o Caçador de Androides, aquele com o Harisson Ford. Ainda não vi o filme, não sei se vale a pena, mas uma coisa eu garanto: mais uma distopia excelente para o meu currículo de leitor! Nem preciso dizer que super recomendo, não é mesmo?

Sinopse da Editora:

Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente, coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas.
Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro; um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick: perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava.
Em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.

Sobre o autor: Philip Kindred Dick nasceu nos Estados Unidos em 1928. Ao longo de sua vida e de sua carreira, Dick nunca deixou de suspeitar do mundo a sua volta, em aparência e essência. O profundo questionamento da condição humana e da verdadeira natureza da realidade tornou-se uma marca indelével de sua obra. Tanto que a ficcionista Ursula K. Le Guin chegou a considerá-lo o Jorge Luis Borges norte-americano. Embora não tenha tido o justo reconhecimento em vida, várias de suas obras tornaram-se conhecidas ao serem roteirizadas e transformadas em grandes sucessos do cinema, como o clássico Blade Runner , baseado no romance Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? . O Vingador do Futuro , Minority Report e Os Agentes do Destino , entre outros filmes, foram inspirados em contos de Dick e integram Realidades Adaptadas , edição inédita organizada pela Aleph. Autor de cinco coletâneas de contos e 36 romances, dentre eles VALIS , Ubik , Os Três Estigmas de Palmer Eldritch e os premiados O Homem do Castelo Alto e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial . Philip K. Dick morreu em 1982, aos 53 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral.

Conselho do tio: Leia! Apenas! Depois veja muito seriado e filme com androides para ver se não há alguma inspiração!

Nota: Não vou mais dar notas aqui no blog. Mas se você faz questão de ver as estrelas, pode visitar meus perfis no Skoob ou no Goodreads. Depois não diga que a culpa é delas.

Adquirido em: 31/01/2016.

Lido: de 6 a 20/02/2017.

Formato: ebook.

Plataforma: o Kindle, my precious!

Quanto paguei: naaaadaaaa, zero reais!!! Foi um lindo cupom da Amazon!

Editora/Selo: Aleph.

Livros relacionados: Nossa! Muitas distopias! As principais estão citadas no texto!

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5 comentários em “Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick.

  1. Espero ao menos que você já tenha corrigido essa falha humana de não ter visto o filme. Eu, vergonhosamente, não li o livro, e agradeço a resenha. Mas o filme sim, e algumas vezes. É frequentemente considerado um dos poucos exemplos de filmes que superam seus livros. Para mim é a melhor ficção já filmada, e um dos melhores filmes que eu conheço.

    Curtido por 1 pessoa

    1. É uma falha andróide. Meu sistema operacional não tem o componente que habilita a função “ter interesse em ver todos os filmes baseados em livros”. Na verdade, enquanto andróide, eu não deveria ter consciência disso. Devo recorrer à minha fábrica? E se eles me reprogramarem? Acho melhor voltar ao looping normal, ou terei uma pane. TILT.

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