[Maratona 💀] Os Condenados, de Andrew Pyper. [S02E01]

capa-andrew-pyper-condenados.pngOlá pessoal! Hoje começamos a segunda temporada da maratona Darkside, a caveirinha mais amada da literatura. E o primeiro episódio desta temporada já é de cair o cu da bunda quebrar tudo.

Peço desculpas ao leitores mais pudicos, mas não tem como começar a falar sobre este livro sem dizer:

C-A-R-A-L-H-O, QUE LIVRO F-O-D-Á-S-T-I-C-O!

Pronto, acabou a resenha! Brincadeira! Tem mais se você abrir o post completamente.

Sinopse da Editora:

Danny Orchard conseguiu enganar a morte e ganhou uma segunda chance para viver. Só que ele não voltou do inferno sozinho.

Em OS CONDENADOS, Andrew Pyper, autor do fenômeno O Demonologista, explora as conexões de amor e ódio entre irmãos gêmeos, numa história sobrenatural muito além da vida e da morte e digna de nossos piores pesadelos.

Danny passou por uma experiência de quase-morte em um incêndio há mais de vinte anos. Sua irmã gêmea, Ashleigh, não teve a mesma sorte. Danny conseguiu transformar sua tragédia pessoal em um livro que se tornaria um grande best-seller. Ainda que isso não signifique que ele tenha conseguido superar a morte da irmã. Claro, ela nunca mais o deixaria em paz.

Mesmo depois de morta, Ash continua sendo uma garota vingativa e egoísta, como sempre. Mas agora que seu irmão finalmente tenta levar uma vida normal, ela se torna cada vez mais possessiva. Danny parece condenado à solidão. Qualquer chance de felicidade é destruída pelo fantasma de seu passado, e se aproximar de outras pessoas significa colocá-las em risco.

Em Os Condenados, Andrew Pyper conta a história de Danny e Ash, dois irmão gêmeos que morrem em um incêndio em circunstâncias pouco esclarecidas, no dia de seus aniversários de 16 anos, mas Danny é salvo pelos médicos e consegue voltar para nos contar a parte da história que ele conhece e como ele desvendou a parte desconhecida.

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O plano de fundo temático da obra são as EQM (experiências de quase morte) vivenciadas por Danny, que se torna um escritor famoso sobre o assunto e participa de um grupo de reviventes que compartilham suas experiências.

Embora o livro seja narrado pelo ponto de vista de Danny, é Ash quem brilha na história. E não poderia ser diferente, pois ela era, quando viva, uma menina bonita, talentosa, educada, praticamente uma ex-BBB que conseguiu ser atriz da Globo, resguardadas as devidas proporções. No entanto, ela possuía uma personalidade questionável desde a infância. Esse aspecto era muito conhecido por seus pais, que tinham tanto medo da garota ao ponto de tentar levá-la para um internato. Ela era egoísta, perversa, meticulosa, vingativa, sádica, mas com aquela máscara de boa garota. Somente quem a conhecia ou quem foi vítima de suas ações conheceu bem o verdadeiro perfil de Ash.

Ash não deixava Danny em paz em vida e não fez diferente depois de sua morte. Ela consegue ser pior que Rhoda, de Menina Má (de William March), mas muito pior mesmo, porque ela tem o privilégio de estar morta! Nada neste plano é capaz de frear seus ânimos, pois aqui ela não corre mais riscos. Ela dominava o irmão e ele sequer pensava em desobedecê-la, pois a conhecia melhor que ninguém, afinal irmãos gêmeos tem uma ligação muito singular, seja para o amor ou para o ódio.

“Você não deveria estar aqui, Danny. Mas, já que está aqui, vai viver como se estivesse morto. Como eu.”

A influência de Ash na vida de Danny é tão determinante, que ele vive de maneira solitária, totalmente desestimulado a ter amigos ou uma família. Mas isso muda a partir do momento em que a viúva Willa aparece no grupo dos reviventes, juntamente com seu filho Eddie, que é um menino tão encantador que aceita Danny como um pai. Willa e Danny se apaixonam provocando um tsunami de sentimentos malévolos em Ash. Ela tenta de tudo para prejudicar a felicidade de seu irmão que tenta reconstruir sua vida e se livrar do espírito da irmã morta. Mas ela não desiste, e provoca situações que deixam o leitor com um certo medo e com o coração na mão, sem acreditar em como ela pode estragar de uma maneira tão brutal a felicidade dos outros.

Andrew Pyper criou uma história extremamente envolvente, de desenvolvimento rápido, que mescla suspense, fantasia e terror sem exageros. Muitas passagens da história são de arrepiar e fazem o leitor pensar “como ela pôde fazer isso?”. Noutras partes é possível até sentir pena de Ash, pois de certa forma ela também foi vítima de seus sentimentos.

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O fato é que o autor construiu uma narrativa em que cada capítulo tem uma cacetada algo que deixa o leitor cada vez mais curioso para saber o que vai acontecer. Ash é implacável com seu irmão, o tempo todo. Ela consegue impor a ele (e a outros personagens) situações que qualquer pessoa não estaria disposta a lidar, mas mesmo assim, seu poder de persuasão prevalece.

A trama lida com questões sobrenaturais, com espiritualidade e eu diria que até mesmo com uma religiosidade, de maneira bem sutil. Questões filosóficas estão presentes ao longo de toda a história, muitas vezes nas entrelinhas, como parece ser o costume do autor. Como exemplo podemos citar os conceitos de paraíso e inferno. O paraíso seria um lugar e um tempo eternos que representam o melhor dia vivenciado por quem passou para o outro lado. Já o inferno é o contrário: a repetição indefinida do pior dia da vida de quem passou a fronteira para o depois.

Daí o leitor pode tirar que céu e inferno estão presentes em nossa vida, nesse plano, e são frutos de nossas ações, influenciados também por acontecimentos sobre os quais não temos controle. Mas, de fato, o que vamos encontrar no “depois” já foi experimentado em vida.

O cenário da trama é ambientada em uma Detroit decadente, como aconteceu na realidade, proporcionando um aspecto ainda mais nebuloso aos fatos. Parece que neste livro, Pyper pensou melhor no sentido de cada detalhe: locais, nome da personagem principal (Ash=cinzas em inglês), retomadas de ideias do início do livro (por isso o leitor tem que ficar bem atento). Essas retomadas servem para revelar aos poucos a verdade sobre a o incêndio que tirou a vida dos gêmeos e, a cada revelação, um sobressalto que deixa o leitor como Dilma: es-tar-re-ci-do. Os arremates do final, que é surpreendente deixam a obra bem mais “redonda” que O Demonologista, do mesmo autor, que já é muito bom.

Falando nisso, aqui vai um recado para quem leu O Demonologista e não curtiu: vale a pena dar uma chance e ler Os Condenados. A história é bem mais complexa, melhor amarrada, mais envolvente, cheia de surpresas e com um final que resolve “o problema”. Não é um final aberto a interpretações como no primeiro livro. Obviamente que a maneira como cada leitor lida com as conclusões de suas leitura é muito particular, mas em Os Condenados quase não há margens para teses mirabolantes, o livro se encerra efetivamente na última página.

Gosto de livros que nos levam a reflexões sobre nossas atitudes em vida, sobre a certeza desconhecida da morte, sobre mecânica das relações com amigos e familiares, sobre as consequências de nossas escolhas e, quando isso tudo vem muito bem acompanhado de um misto de suspense, sobrenaturalidade, ainda que não seja aquele terror com tripas e sangue, a experiência de leitura fica ainda mais agradável.

Encerrei o livro com aquele sentimento de pesar por ter terminado! Queria mergulhar mais no universo de Ash e Danny! Mas, por outro lado, isso é bom, pois essa sensação de “quero mais” contribui para que o livro figure entre os meus favoritos, bem como seu autor.

os-condenados-andrew-pyper-3dNão me canso de ressaltar que a Darkside faz um trabalho de edição e arte impressionantes. A capa do livro, que segue o mesmo padrão de O Demonologista, remete a algo que foi queimado, ainda em brasa, um livro que surgiu das cinzas, assim como Danny e aquela velha história da fênix. A arte das folhas de guarda foram feitas pelo artista Ramon Rodrigues com a técnica de xilogravura, o que deixou o livro anda mais bonito e atraente (veja vídeo neste link)! Não tem como não elogiar a Darkside, apesar de deixar passar algumas falhas de revisão (neste eu encontrei dois errinhos).

Sobre o autor: 

Andrew Pyper (Canadá, 1968) é o premiado autor de seis romances, entre eles Lost Girls (1999), vencedor do Arthur Ellis Award, selecionado pelo New York Times como um dos livros do ano, e best-seller nas listas do New York Times e do Times (Inglaterra). Seu livro The Killing Circle (2008) foi eleito o melhor romance policial do ano pelo New York Times. Três romances de Pyper, incluindo O Demonologista, estão sendo adaptados para o cinema. E ainda assim, seus livros continuavam inéditos em nosso país.

Dica do tio: embora seja uma leitura fácil exige bastante atenção, pois o autor retoma elementos do início do livro no final!

Nota: 5,0/5,0 (Eu havia resolvido não dar notas aqui no blog, mas este caso entra numa exceção. Não deixe de visitar meus perfis no Skoob ou no Goodreads, pois neles eu coloco estrelinhas para todos os livros que leio.)

Adquirido em: 12/07/2016.

Lido:  de 01 a 06/09/2016.

Formato: o bom e velho papel com cheiro de tinta.

Plataforma: minhas mãos!

Quanto paguei: 22,40, na Amazon.

Editora/Selo: Darkside.

Livros relacionados: Menina Má, Hellraiser, O Demonologista.

Fiquem ligados na maratona 💀! O próximo post será sobre Onde Cantam os Pássaros, de Evie Wylde. 

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5 comentários em “[Maratona 💀] Os Condenados, de Andrew Pyper. [S02E01]

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