Leituras de Agosto.

Bom dia/boa tarde/boa noite, querido leitor. O blog deu uma esfriadinha nos últimos dias porque o tio não estava muito inspirado. Acontece nas melhores famílias, não é mesmo?

Mas isso não significa que eu não tenha lido um bocado. Por sinal, Agosto foi um mês ano bem produtivo em termos de leitura!

Eu gosto das postagens dos livros lidos no mês porque posso complementar alguma coisa já dita antes sobre alguma obra, pois às vezes o tempo faz com que o processamento da leitura se complete. Assim, é uma opinião mais isenta daquele calor entisuasmado do momento imediatamente após a leitura.

Vamos começar? PRE-PA-RA que a postagem ficou comprida igual Agosto!

#37 S., de J. J. Abrams e Doug Dorst.

91S666dWkaLA primeira leitura concluída em Agosto foi iniciada em Julho, que foi o livro-jogo S. de J. J. Abrams e Doug Dorst. Já falei sobre ele em postagem específica e lá dá para perceber que a expectativa não foi satisfeita. Sequer, confesso, entendi quem era V. M Straka, o misterioso autor de O Navio de Teseu, romance que serve como substrato para todas as outras histórias que fazem parte dessa obra. O que estava mais na superfície e o paralelo entre o romance principal e a trama que envolve Eric e Jen são coisas mais fáceis de entender. O que eu não fiz, por falta de paciência mesmo, foi tentar desvendar o que está cifrado no livro. Admito que foi meio broxante decepcionante mesmo. Mas não se desestimule por conta de meu comentário, leitura é algo muito pessoal, tanto é que tem uma galera que se dedicou a esse livro e ficaram fãs da história, que tem sim uma ideia muito interessante.


#38 O Escaravelho do Diabo, de Lucia Machado de Almeida.

Download-O-Escaravelho-do-Diabo-Lucia-Machado-de-Almeida-em-ePUB-mobi-e-pdf.jpgLivrinho clássico da literatura infanto-juvenil brasileira da antiga e famosa coleção Vaga-Lume. A Editora Ática está relançando, a preços astronômicos por sinal, os livros da coleção. O fator preço (inacreditáveis R$43) me compeliu a conseguir o livro de maneira alternativa em vez de comprar (foi emprestado).

O que me levou a ler esse livrinho, além da vontade de curar a ressaca de S., foi a curiosidade por conta da adaptação para o cinema e acabei descobrindo que o personagem principal, Alberto, que no livro é um jovem universitário, foi substituído por um personagem infantil no filme, o que me fez perder o interesse pela película. Não imagino uma criança ajudando a polícia a desvendar uma série de assassinatos onde quer que se passe o filme.

Mas vamos ao livro.

É um thriller voltado a crianças e adolescentes, que se passa na cidade de Vista Alegre, interior de São Paulo. O enredo traz um serial killer que resolve matar todos os ruivos do lugar, por guardar um trauma do passado. Mas antes de matá-las, enviava às vítimas um escaravelho, cujo nome da espécie dá a dica de como seria a sua morte. O primeiro a ser morto é Hugo, irmão de Alberto.

A partir desse ponto a trama se desenrola, Alberto passa a ajudar a polícia, representada pelos Inspetor Pimentel, além de ser envolver em algumas confusões com as garotas. Digamos que, além de ainda não saber lidar direito com as coisas do coração, as circunstâncias o levam a ter muita dificuldade em se resolver amorosamente, principalmente em relação a Verônica, amor que ele vai tentar recuperar muitos anos depois, e que o leva a descobrir por acaso a verdadeira identidade o serial killer. A essa altura, a polícia já encerrara o caso por não ter descoberto o assassino que conseguiu fazer seis vítimas.

O que me chamou atenção nessa história foram os costumes dos personagens. Parecem fazer parte de uma aristocracia, cujos filhos estudam profissões tidas como nobres (medicina, direito…), estudam em conservatórios de música, possuem “criados” em casa, pais que viajam para as gringas como se tivessem indo ali no bairro vizinho e deixam os filhos com os empregados, resquícios muito evidentes de uma cultura ainda moldada pelos séculos de influência europeia. Uma elite tão alienada que chega a ser inocente quanto às maldades do mundo. Uma realidade certamente muito distante da maioria das pessoas que leu esse livrinho, tanto na época de seu lançamento como dos anos 80 para cá.

Isso tudo que me surpreendeu, pois considero a autora contemporânea (nasceu em 1910) e a história, inicialmente em formato de novela publicada em um jornal, é da década de 50, tendo sido relançada em livro em 1974, época em que houve uma grande mudança nos costumes, influenciada pela música, por aquela atmosfera dos anos dourados e “new age”, pela moda e pelo início da liberação sexual. Achei meio fora de órbita, quadrado demais para uma época tão questionadora.

Por fim, é um livro que funciona muito bem para iniciar os jovens leitores no mundo da literatura, mas que fica meio boboca para quem já passou dos 18 anos.

❤️ Veja a nota no Skoob ou no Goodreads | 💳 04/08/2016 | ⌛️ 04/08 a 05/08/2016 | 📝 Ática


#39 O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick.

91twygp2bftlResenhado em postagem específica (clica aqui). Ideal para viajar por uma realidade alternativa dentro de uma realidade alternativa! Além de refletir como nossas ações podem moldar nosso futuro, ou seja, como somos responsáveis pelo futuro de nossa sociedade.

PKD foi um gênio ao misturar em sua obra filosofia, história, religião e crítica social. É sempre bom ficar meio perdidão embarcar em sua metafísica! Além disso, sua obra inspirou a indústria cinematográfica e a influenciou a literatura, principalmente a ficção científica que eu tanto adoro! Isso ocorreu porque PKD escreveu ficções de ideias e não de personagens, o que é melhor explicado no post específico, passa lá! Enfim, o livro é fantástico! Sensacional! Só mesmo uma mente perturbada como a do maluco PKD para nos proporcionar excelentes pirações axiológicas, teológicas, teleológicas, filosóficas, psicológicas, psicotrópicas e tecnológicas…

❤️ Veja a nota no Skoob ou no Goodreads | 💳 16/03/2016 | ⌛️ 08/08 a 12/08/2016 💾 e-book. | 📲Kindle. | 💸 R$2,88 | 🛍  Amazon | 📝 Aleph


#40 Caixa de Pássaros, de Josh Malerman.

24206820Um intrigante thriller psicológico que explora o medo, sobretudo a claustrofobia. O autor parte de uma premissa interessante: pessoas começam a se matar depois de enxergar algo desconhecido e a partir desse ponto o apocalipse se instaura, deixando o leitor sufocado, em estado de tensão até o final da obra.

Apesar dos estranhos casos de morte, um grupo de pessoas consegue arranjar uma estratégia para sobreviver trancafiados em uma casa. Mas no meio do caminho algo dá errado, porque alguém correu um risco além do calculado. Fator que leva Malorie (que fez parte do grupo) a planejar por muitos anos uma forma de se safar daquela situação com seus dois filhos (o Garoto e a Garota), pois precisava condicioná-los a viver em um mundo extremamente hostil e treiná-los para enfrentar aquelas circunstâncias e, mais tarde, fugir. Ela sequer teve tempo de pensar em um nome para eles, tamanha era a sua preocupação em desenvolver seus sentidos, pois qualquer vacilo durante a fuga seria fatal.

O tempo do livro é fragmentado, o que não é um problema para a narrativa. Porém, o autor, apesar de ter criado um ponto de partida provocante, não se aprofunda no problema: o que seria a coisa que leva as pessoas a perderem a racionalidade? De onde teria surgido o problema? Esse fator acaba influenciando no ritmo da história, que muitas vezes fica um pouco monótono. Alguns personagens são dispensáveis, pois poderiam ser melhor trabalhados pelo autor, o que não ocorreu. Muitas pessoas não curtiram o final, mas eu curti. Acho que Malorie foi muito paciente e sagaz. Não é assim um grand finale mas é interessante sim.

Portanto, foi uma leitura agradável, mas ficou na média. Não fossem as reviravoltas interessantes e um momento que pode emocionar os corações mais amanteigados, seria um livro esquecível.

Parece que vai virar filme. Estou esperando!

❤️ Veja a nota no Skoob ou no Goodreads | 💳 19/02/2016 | ⌛️ 15/08 a 17/08/2016 💾 e-book. | 📲Kindle. | 💸 R$0,00 | 🛍  Amazon | 📝 Intrínseca


#41 O Projeto Ascendant, de Drew Chapman.

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Resenha em post próprio (clica aqui). Vale a pena dar uma lida e ajudar a divulgar esse livro para que a editora traga a outra obra do autor baseada no mesmo personagem (Garret Reilly). Esse livro daria um ótimo filme.


#42 A Garota no Trem, de Paula Hawkins.

28960475Encerro o mês de agosto com mais um thriller psicológico. E que inspirou o filme que estreará nos cinemas em breve.

Conta a história de três mulheres desequilibradas com sérios problemas pessoais: Rachel, Megan e Anna. Rachel é ex-mulher de Tom, que agora é casado com Anna. Megan é esposa de Scott e se envolve com o terapeuta Kamal Abdic e com Tom. A narrativa é fragmentada no tempo e dividida pelo ponto de vista das três personagens femininas. Cada capítulo é contado por uma delas.

Rachel é a garota no trem, que viaja para Londres todos os dias e vê pela janela seu antigo bairro, sua antiga casa, no número 23 (onde vivem Tom e Anna). E começa a observar a vida dos moradores do número 15 (ou seria o contrário?) e a idealizar como a vida deles seria perfeita. Até que um dia vê que a vizinha, a quem chamou de “Jess”, está na pegação com outro cara traindo seu marido “Jason”, fato que desencadeia toda a trama e leva a todas as tragédias.

A autora faz o leitor mergulhar na mente feminina. Cada uma das personagens tem uma ferida aberta em sua vida, um fato do passado que a atormenta, determina sua ação e conduz seus pensamentos. Envolve traumas, obsessões, histerias, inseguranças, desequilíbrio emocional, depressão, adultérios, relacionamentos doentios e abusivos (tanto por parte dos homens quanto das mulheres), até que o verdadeiro canalha e a verdadeira vítima se revelam (sei quiser saber quem são, na minha singela opinião, deixe a questão nos comentários!).

É possível até mesmo ficar com raiva da Rachel, por ser tão desequilibrada, perturbada, chata, aficcionada no ex-marido, e também com pena dela por ter se entregado ao alcoolismo. Megan é sexualmente insatisfeita, ninfomaníaca, acaba procurando aliviar seus desejos fora de casa. Anna, coitada, inocente de dar raiva (sabe a “sonsiane”?, que se faz de tola?) mas que levou Tom a acabar com seu casamento com Rachel.

O pecado da obra é que a autora partiu de uma premissa muito clichê, mas construiu uma trama mais aprofundada. Eu não curti muito a temática, não me interesso muito por problemas de relacionamentos amorosos, acho que a dose de dramalhão foi excessiva demais. Talvez se o romance tivesse uma pegada mais policial eu teria gostado mais. Fiquei com a impressão de que não é um chic lit por muito pouco. Mas vale a leitura, ela é cativante, prende o leitor até o fim, mas não é um livro que vai figurar entre os meus favoritos.

Quer ler um excelente thriller psicológico, investe em O Homem Duplicado, do mestre Saramago. QUE LIVRO!

❤️ Veja a nota no Skoob ou no Goodreads | 💳 22/02/2016 | ⌛️ 26/08 a 30/08/2016 💾 e-book. | 📲Kindle. | 💸 R$5,23 | 🛍  Amazon | 📝 Record


E o prêmio de melhor livro lido em Agosto vai para:

O Homem do Castelo Alto! Sem sombra de dúvidas.

E vem aí, no mês de setembro, mais uma temporada da MARATONA DARKSIDE 💀!

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Sobre adsonamt

Advogado, servidor público, leitor inveterado, decidi criar esse blog para curtir um período sabático escrevendo sobre o que gosto de fazer. Minhas paixões: livros, chás, gatos, comida boa, música, board games e seriados (não necessariamente nesta ordem, depende da vibe do momento).

8 pensamentos sobre “Leituras de Agosto.

  1. Confesso que me decepcionei bastante com “O homem do castelo alto”.
    A premissa da história é incrivelmente interessante e eu estava esperando um livro eletrizante e cheio de reviravoltas.
    Mas, além de ter muitos personagens (alguns dos quais achei bem irrelevantes) a trajetória deles é apenas morna.
    E convenhamos que o final é um pouco previsível. Basta você se atentar ao ponto focal principal! (ops, spoiler alert!!!)…

    Curtido por 1 pessoa

    • PKD era um filósofo que escrevia romances. Acho que isso me atrai muito. E PIOR: ele escreveu distopias! Acho que a receita dele era: um pouco de filosofia, um pouco de religião, um pouco de política, um pouco de distorção, um pouco de subversão, alguma dorga pra dar um grau e o resultado é uma viagem total. Curto bastante mesmo!
      Mas é bem isso, leitura é algo pessoal. Pra vc ver, todo mundo que lê A Garota no Trem adora, eu não curti tanto assim!

      Curtido por 1 pessoa

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