[Maratona 💀] Hellraiser: renascido do inferno, de Clive Barker.

timthumbMuita gente esperou este livro por 30 anos, principalmente aqueles que, como eu, são analfaburros em não sabem muito Inglês. Com a diferença que eu não esperei porque não conhecia a obra de Clive Barker… Hahaha!

Como assim, tio, não conhecia o cabeça de prego? Não sou obrigado!

O segundo livro da Maratona 💀 é o Hellraiser (The Hellbound Heart), conto de Clive Barker que, segundo reza a lenda, durante a todo esse tempo, nenhuma editora quis trazer esse livro para o Brasil por ser assustador demais…

Mas será que é isso mesmo? Veremos!

Sinopse: Um livro tão assustador que nenhuma editora nacional teve a coragem de lançar. Mas não pense que você está a salvo. A DarkSide Books traz para o Brasil o tão aguardado Hellraiser – Renascido do Inferno, o romance que fez de Clive Barker uma lenda viva do terror. Escrito em 1986, Hellraiser – Renascido do Inferno apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema. Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”. De leitura rápida e devastadora, Hellraiser – Renascido do Inferno conta a história de um homem obcecado por prazeres pouco convencionais que é tragado para o inferno. Inspirado nas afinidades peculiares do autor, o sadomasoquismo é um tema constante em sua arte.

Sobre o autor:

IMG_3091Clive Barker, nascido em Liverpool, Inglaterra, em 1952, é um escritor, cineasta, roteirista, ator, produtor de cinema, artista plástico e dramaturgo inglês. Clive Barker escreve o que costuma descrever como literatura fantástica e terror.

Nos anos 80, ele se tornou o nome mais proeminente da literatura de terror contemporânea. Seus livros são recheados de cenas que contém o terror em sua forma mais nua e crua. Suas obras se caracterizam em contos com narrativas repletas de pactos diabólicos, visões assombrosas, erotismo, farta quantidade de sangue, cadáveres, sadomasoquismo, escatologia, e sexo também é bastante frequente em suas obras, podendo deixar alguns leitores mais conservadores desconfortáveis. Pode-se ter qualquer impressão de sua obra, menos a de taxá-la como comum.

Sobre o livro:

FullSizeRenderÉ um conto de horror. Não chega a ser terror propriamente dito. Uma história recheada de sangue, masoquismo, traições e prazeres sexuais fora do comum que incomodam bastante o leitor. Tem um misticismo diabólico também, representado por um talismã, que é a Caixa de Lemarchand, que tem o poder de colocar seu portador em contato com os Cenobitas.

Conta a história de Frank, um homem sombrio, com uma pegada meio gótica, que está em busca dos prazeres mais peculiares da vida. Ele encontra a caixa de Lemarchand, que é também um quebra-cabeças,  e tenta até conseguir resolvê-la, o que estabelece o contato entre Frank os Cenobitas.

Os Cenobitas fazem uma proposta indecorosa a Frank, oferecendo a ele um mundo de prazeres. Só que Frank não sabia que teria que pagar um preço muito alto por isso e acaba aceitando. Os Cenobitas capturam as pessoas e as levam para o Inferno para alimentarem o próprio prazer, e não do refém. São torturadores perversos, que roubam a substância das pessoas para sobreviverem nesse mundo paralelo sombrio, porém não totalmente desconectado do mundo ordinário.

O inferno de Frank é ficar preso eternamente numa dimensão conectada com o quarto da antiga casa de sua família, experimentando todo o tipo de tortura e prazer. Ocorre que seu irmão, Rory (parece que no filme ele se chama Larry) resolve se mudar para esta casa com sua esposa Júlia e o casal conta com o apoio de Kisrty, amiga de Rory (no filme ela é filha de Larry). E aí a coisa começa a ficar pavorosa, com relacionamentos amorosos mal resolvidos entre esses quatro personagens. As pessoas vão perdendo a cabeça, entrando na onda do capiroto👹, até que as coisas mais escatológicas, pavorosas, aterrorizantes acontecem.

Sei que se eu contasse mais não seria spoiler porque 1/3 da humanidade já leu o livro, outro 1/3 já viu os filmes, mas tem uma galerinha que pode ler isso e não ter feito nenhuma coisa nem outra como era meu caso há uns dias, então vou parar com a descrição do enredo por aqui.

As minhas impressões sobre as história são as melhores possíveis: fácil e rápido de ler (dá pra ler numa tarde) e impossível de abandonar. Qualquer interrupção na leitura gerava aquela ansiedade gostosa para saber os próximos fatos. A leitura desperta muitas sensações: medo (daquele que provoca uma sensação de ataque cardioneurorespiratório que logo passa), nojo, pena, ódio… Confesso que cheguei a ficar com pena do vilão e muito ódio de uma das personagens femininas… Gostaria de dizer porque, mas seria um spoiler “daqueles”… Se alguém já leu (ou viu o filme) e quiser debater sobre o assunto, os comentários estão abertos! Serão muito bem vindos!

Sobre a edição da Darkside:

IMG_3089Este livro tinha tudo para ganhar aquele ensaio sensual que Donnie Darko ganhou por ser pura sedução, mas tem alguns problemas.

É inquestionável o capricho da Darkside com o visual de seus livros. Hellraiser recebeu uma capa que imita couro preto brilhoso linda, com detalhes em dourado e uma gravura que representa a caixa de Lemarchand e as correntes. O interior do livro contém imagens do filme, ilustrações, a diagramação e o tamanho da fonte facilitam bastante a leitura, tem uma folha de guarda linda, a fitinha preta, enfim, nesse aspecto é redundante falar que é phoddah puro amor.

Mas… A tradução e a revisão ficaram muito aquém do aspecto visual. Faltou muito esmero da editora que deixou passar frases sem sentido, traduções literais que parecem feitas pelo Google Translator e termos mal explicados ou fora do contexto (o que são as caixas de chá?, “fazer a entrada” em vez de “penetrar”, “ameixa prepotente” em vez de “volume nas calças”…), erros de grafia e de português. O que me leva a não querer mais qualquer livro traduzido pelo cara que trabalhou em Hellraiser, e que pode se juntar ao desconhecido Eduardo Nunes Fonseca que nos prestigia com as piores traduções que já li.

Acho que a gente merece uma edição revisada a fundo pela Darkside, pois a história é do c%$%*@o fantástica, o acabamento do livro é primoroso, porém a tradução tirou dele meu selo de “pura sedução” por ter me deixado muito frustrado com esse aspecto.

Vale a leitura apesar disso? Bem, se o leitor estiver com coceira no você sabe onde para ler logo, vai em frente. Se puder esperar uma provável edição revisada, espere.

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Dica do tio: durma com a luz acesa depois de ler esse livro. Se tiver coragem (não é o meu caso), veja os filmes.

Nota: não vou mais dar notas. Prefiro dizer que gostei muito do livro apesar dos problemas mencionados.

Adquirido em: 17/05/2016.

Lido de 03/07 a 05/07/2016.

Formato: impresso.

Plataforma: o bom e velho papel, com cheiro gostoso de tinta.

Quanto paguei: R$22,14, na Amazon.

Editora/Selo: Darkside.

Livros relacionados: O Demonologista (ainda estou iniciante no gênero de terror/suspense).

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13 comentários em “[Maratona 💀] Hellraiser: renascido do inferno, de Clive Barker.

  1. Nossa, finalmente alguém que abordou a questão da falta de uma revisão mais cuidadosa!
    Amo a editora, admiro muito o cuidado com as edições, mas não é o primeiro livro deles que eu pego com erros desse tipo. Já vi inclusive alguns que pareciam erros de digitação, e acho isso algo muito amador. Uma simples revisão resolveria muito.
    Quanto ao livro, eu gostei muito também! Na época em que li fiz uma resenha, caso você queira ver tá aqui:
    https://theroom1408.wordpress.com/2015/09/28/resenha-hellraiser-clive-barker/

    Curtido por 2 pessoas

    1. É uma pena que uma edição do livro tão incrível quanto essa esteja com esses errinhos banais de revisão.
      Mas mesmo isso não tirou o brilho da obra!
      Adorei muito o conto e leria todos se fosse uma trilogia de 10 livros!
      😂😂😂

      Curtido por 2 pessoas

  2. As perguntas que ficam são: você já assistiu ao filme? É de 1987, nem dá medo mais; mas a história é tão interessante que ganhou mais de 8 filmes.
    E você não gosta da Julia (que trai o marido) ou da Kirsty (que “acidentalmente” abre o cubo)?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Pablo! Eu ainda não vi nenhum dos filmes! Talvez eu tome coragem e veja, hahaha! Lá nos anos 80 devia ser assustador, hoje deve ser apenas um filme trash (ou de terror clássico). Eu não quis dizer no corpo do post sobre os personagens para não dar spoiler pra quem não conhece a história, mas eu fiquei com ódio da Júlia! Cheguei a ter pena de Frank e a ficar sem paciência com a inocência do Rory (aquele cego que não quer ver). A Kirsty, coitada, até que tinha alguma boa intenção por trás do interesse dela e foi a que mais perdeu.

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  3. Estou terminando de ler o livro, mas tive que fazer uma pausa na leitura para pesquisar sobre algo que está me incomodando bastante: os erros de português (gramaticais e ortográficos), os problemas na tradução e, principalmente, a falta de revisão.

    Durante a procura encontrei sua resenha.

    Além dos problemas citados por você, ainda há o uso equivocado dos verbos no passado: há uma inversão nos usos dos verbos no pretérito imperfeito e no mais que perfeito.

    É exigir demais? Acredito que não. Se for para fazer, faça bem feito.

    Além da “ameixa prepotente” – muito bem observado por você – é possível encontrar várias outras bizarrices (que podem ser confundidas por metáforas, mas que para nós brasileiros são só expressões traduzidas ao pé-da-letra do inglês e que não fazem qualquer sentido em nosso contexto).

    Acho o Alexandre Callari – o tradutor – um cara excepcional. Em seus vídeos do youtube (Pipoca & Nanquim) dá para ver que é um cara com ampla bagagem cultural (e muito gente boa), mas…
    Não sei como são suas outras traduções. Enfim.

    E por último, um puxão de orelhas nos revisores, pois era obrigação deles perceberem os erros de tradução e português (um vez que nós leitores conseguimos perceber esses vários problemas).

    Devia enviar essa mensagem (desabafo, hehehe) para a DarkSide.

    Abraço adsonamt.

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    1. Com certeza eles devem melhorar a revisão. Um livro lindo, com um ótimo trabalho gráfico não pode ter erros como esses. Hellraiser é o caso mais bizarro, mas outros livros da editora também deixam a desejar na revisão.

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