Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

91AxQNn1F3L.jpgMais uma distopia starre e horroshow lida por esse tio que vos escreve!

(Ainda farei um post sobre distopias! Mas vai ser mais pro fim do ano!)

Como eu disse no post do Admirável Mundo Novo, resolvi não privar os prováveis leitores deste glorioso blog dos livros clássicos mais aclamados pela maioria dos leitores e críticos, porque são obras atemporais que merecem interessovatação das novas gerações de leitores sempre.

Então meu caro drugui, sobirate sua chasha de moloko e seu mastiguete e vamos govoretar sobre Laranja Mecânica, de Antony Burgess! Então, o que é que vai ser, hein?

SINOPSE:

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge grandes proporções e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, o livro é uma obra marcante que atravessou décadas e se mantém atual.

Anthony Burgess foi um escritor, compositor e crítico britânico, nascido em 1917. Foi diagnosticado, quando estava na sua fase mais produtiva,  com uma doença grave quando lhe informaram que ele teria até um ano de vida, mas os médicos estavam errados. Ainda assim ele se dedicou a escrever ainda mais para entregar o máximo possível de criações durante o seu “curto” período de vida. Burgess morreu com 76 anos de idade em 1993. Além de livros ele escreveu peças de teatro, biografias e roteiros de cinema e TV, sendo a mais célebre a sua 18ª obra, que é esta de que falamos.

Laranja Mecânica é um romance distópico, lançada pela primeira vez em 1962, em que a ultraviolência é o tema e se passa numa Inglaterra de um provável futuro próximo. O livro é dividido em três partes, cada uma com sete capítulos e  narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista de Alex.

A primeira parte retrata a vida regada a drogas, violência e música clássica do adolescente sociopata Alex e seus “amigos” Pete, George e Tosko (Dim no idioma original) em suas andanças pela cidade cometendo ações nem um pouco ortodoxas. Alex é apaixonado por música clássica e temente a Deus, fatores que o acompanham durante toda a sua trajetória, o que demonstra que ele possui, apesar de tudo, alguma sensibilidade.

A segunda parte representa uma mudança no curso da vida de Alex, em que ele se encontra inserido num sistema de maneira forçada e que o faz tomar outras atitudes depois de ter passado por processo invasivo e doloroso. É a parte que mais incomoda da obra, pois ao mesmo tempo que temos consciência da delinquência de Alex, acabamos nos envolvendo com o personagem que passa de agente a vítima. Nesta parte ele é subjulgado e obrigado a passar por experiências que poderiam mudar o rumo de sua vida (Técnica Ludovico), mas a um custo muito alto (o sacrifício de seu livre-arbítrio) e a favor de interesses midiáticos espúrios de um sistema totalitário.

A terceira parte revela o império do livre-arbítrio (o seria sua relativização?), pois Alex se vê entre duas possibilidades e escolhe uma delas para tocar o resto de sua vida, mas retrata também um outro nível de consciência do personagem principal decorrente de seu amadurecimento. Nesta parte Alex toma uma atitude drástica, que poderia ter sido uma tragédia, quando a narrativa chega ao clímax. A frustração o leva a uma reflexão sobre suas escolhas, sobre a solidão que o acompanha e sobre o seu espírito errante, pois se deu conta da finalidade de todo o processo pelo o qual foi submetido e de como se tornou ainda mais solitário mesmo estando diante de uma multidão. Não tem como não ficar com pena desse anti-herói e não se envolver com a carga emotiva das últimas páginas da obra.

A narrativa só é mais leve por conta das gírias nadsat (algumas usadas aqui no post) que o autor criou como uma forma de causar um estranhamento ao leitor em relação à cultura adolescente e marginal – e para tornar o texto menos explícito, mais leve, creio eu. Mas ainda assim a história causa um desconforto ao leitor, incomoda de verdade, pois mexe com certos tipos de situações que ninguém está disposto a passar, por mais consciência que se tenha das prováveis consequências dos próprios atos. Sinceramente, eu não sei se teria estômago para ler o livro caso não houvesse o “filtro nadsat”.

dd42a29b73f1614c9538160fa82e73ddA crítica à sociedade é clara na obra de Burgess pois revela as mazelas da violência e de um sistema repressivo que nem sempre é eficaz, retrata a decadência da família como instituição básica, onde se aprende os valores básicos para ser cidadão. Além disso, é um ataque ao Behaviorismo que ajudou a fundamentar o temor da sociedade da época quanto a um aumento da delinquência juvenil na Inglaterra das décadas de 1950 e 1960, época em que a cultura jovem se desenvolveu, com suas virtudes e defeitos.

O livro foi adaptado para as telas em 1971, mas eu não tive estômago para ir até o final do filme. Embora o livro seja fantástico, o filme materializa, sob o ponto de vista de seus criadores, o que o livro retrata. E eu preferi desligar a TV na segunda cena e ficar com aquelas imagens que a minha mente inventou.

FullSizeRender(1)Devo elogiar aqui o trabalho da Editora Aleph que tem um cuidado especial também com os e-books! As referências são precisas e a fontes do livro impresso foram preservadas na edição eletrônica, o que deixou a leitura ainda mais prazerosa no Kindle. Existe no mercado uma versão comemorativa chudesni (maravilhosa mesmo!), de capa dura, em papel especial, com ilustrações, que é bem legal para ter na estante, mas não é boa para manuseio porque é mais pesado e o papel revista é mais reflexivo. Vale para decorar a prateleira!

Conselho do tio: apenas leia, simples assim! Deveria ser leitura obrigatória assim como os outros livros citados neste post, além de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell que não entra na categoria distopia. E se quiser adquirir o livro, clica em um dos links ou nas capas para ajudar o blog!

Nota: 4,0/5,0 (Horrorshow!).

Adquirido em: 14/11/2015.

Lido de 09/05 a 13/05/2016.

Formato: e-book.

Plataforma: meu querido Kindle.

Quanto paguei: incríveis R$6,48, na Amazon.

Editora: Aleph.

Livros relacionados: as distopias Fahrenheit 451, 1984, Jogador Nº 1, Guia do Mochileiro das Galáxias, Fundação, Admirável Mundo Novo.

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Sobre adsonamt

Advogado, servidor público, leitor inveterado, decidi criar esse blog para curtir um período sabático escrevendo sobre o que gosto de fazer. Minhas paixões: livros, chás, gatos, comida boa, música, board games e seriados (não necessariamente nesta ordem, depende da vibe do momento).

9 pensamentos sobre “Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

    • Só digo uma coisa: cada distopia clássica que leio é uma experiência engrandecedora. Elas geram um turbilhão se sensações, sentimentos, referências e Laranja Mecânica não é diferente. É de longe a que mais incomoda, mas em termos quantidade de temas abordados com maestria, ainda fico com Admirável Mundo Novo.
      Seja sempre bem vinda aqui no blog! E nos indique para amigos, tags, etc…

      Abraço dos tios.

      Curtido por 2 pessoas

  1. Não sei se tenho coragem de ler esse tipo de livro que lida de forma tão pesada com a psique humana e temas que podem facilmente ser trazidos pra nossa realidade.

    Sou mais fã das ficções fantasiosas e fantásticas.

    Mas prometo tentar um dia… Quando eu terminar de ler a saga Harry Potter, quem sabe!
    =P

    Curtido por 1 pessoa

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