Puerto Rico, de Andreas Seyfarth.

IMG_2913Finalmente vamos inaugurar mais uma categoria aqui no blog! Esperamos poder continuar variando o conteúdo por aqui.

Hoje vamos falar sobre um excelente jogo de tabuleiro, ou boardgame, como preferir, que estreou no mercado brasileiro há relativamente pouco tempo.

Trata-se do jogo Puerto Ícaro* Puerto Rico, criado pelo alemão Andreas Seyfarth em 2002, fabricado no Brasil sob licença da GROW.

O jogo está numa das melhores posições no ranking mundial e ganhou vários prêmios como melhor jogo desde que foi lançado, tendo sido também indicado outras diversas vezes.

IMG_0004A edição brasileira é baseada numa versão comemorativa do jogo original e já inclui duas expansões: “novas construções” e “os nobres”.

É interessante que a GROW aprimorou a embalagem e a qualidade dos materiais para os jogos modernos (eurogames) que ela trouxe para o Brasil, mas ainda falta um pouco para chegar aos padrões dos jogos importados. Assim, podemos considerar que os tabuleiros, os cartões (tiles) e as peças em madeira são de boa qualidade. Só há uma ressalva quanto às traduções, pois a GROW deveria ter mais zelo nesses aspecto. Muitas vezes uma tradução mal feita pode prejudicar a jogabilidade, como aconteceu com Puerto Rico, pois foi necessário pedir um novo caderno de regras. Mas ainda há uma divergência de tradução entre um dos cards e o tabuleiro. Espero que eles tenham corrigido nas novas edições do jogo.

IMG_0003A Grow foi muito prestativa quando solicitei um novo livro de regras, não foi preciso telefonar, bastou mandar um email com a foto da última página da regra que veio originalmente no jogo, solicitar uma nova versão, caso existente, que eles mandaram para o endereço que foi fornecido no email.

Passamos então ao contexto do jogo. Ele se passa durante os primórdios do comércio internacional que conhecemos hoje, mais precisamente em 1543, 50 anos após a descoberta de Puerto Rico, um novo mundo, por Cristóvão Colombo. A produção é escoada por meio das fantásticas embarcações dos antigos navegadores, pois os produtores estão ávidos a produzir e beneficiar suas commodities e exportar para terem maior prosperidade e muito prestígio. Para isso eles precisam de terra, armazéns, usinas de beneficiamento, portos, universidades, escritórios, escravos colonos… Que vão sendo adquiridos para aprimorar os negócios dos comerciantes.

IMG_0010As partidas comportam de 2 a 5 jogadores, a idade indicada é de 12 anos em diante e o tempo do jogo é em média de 90 a 150 minutos.

A dinâmica do jogo consiste em rodadas e funções (que vou chamar de ações também). Cada rodada tem um número de ações igual ao número de jogadores. As rodadas iniciam com a escolha da cartela do governador pelo jogador que a iniciará.

Cada um, na sua vez escolhe um dentre os personagens disponíveis (começando pelo governador) e executa a função correspondente e o privilégio. Os outros jogadores, a depender do personagem, executam a mesma ação daquele que comprou a carta inicialmente, se possível. Ao fim da função o próximo jogador escolhe o novo personagem, realiza a respectiva ação e o privilégio e passa a vez ao próximo jogador para realizar a mesma função (se for o caso). Assim a escolha das cartas de funções seguem até que todos tenham escolhido um personagem.

IMG_0012Finalizadas as funções, inaugura-se uma nova rodada, com o próximo jogador escolhendo a carta de governador (que marca quem começou a rodada). Esse mesmo esquema de jogo é repetido em todas as rodadas até que uma das condições que estipulam o fim da partida seja atendida: não houver mais escravos colonos suficientes para embarcar no navio negreiro, um ou mais jogadores ocuparem todos os espaços da cidade (não do campo) ou acabarem as fichas de Pontos de Vitória.

Cada jogador possui um tabuleiro que retrata a sua ilha, onde ele pode produzir, beneficiar, estocar e administrar sua propriedade. Os recursos e construções ficam situados no tabuleiro central (banco) disponíveis para compra. Para produzir, é necessário que o jogador possua colonos que vão trabalhar pesado na produção. As ações lhe dão pontos de vitória ou dinheiro para adquirir recursos ou construções (e o ciclo se retroalimenta). Os recursos são: pedra, café, tabaco, milho, açúcar e índigo (“WTF is índigo”, disse @etiojunior).

O objetivo do jogo é ter mais pontos de vitória, fazendo com que a ilha prospere e se desenvolva.

O interessante do jogo é que o fator sorte é reduzido, pois não há dados (roletas ou afins). A sorte se situa na estratégia do outro jogador, ou seja, na possibilidade de outro jogador realizar uma ação que vai ajudar ou beneficiar o outro. Além disso, uma grande vantagem, é que o jogo não tende à eternidade, pois tem condições pré-determinadas para o fim do jogo.

De início as regras parecem ser complexas, mas com duas ou três partidas se acostuma com elas e a jogabilidade torna-se mais fluida (tem alguns vídeos no YouTube que ajudam muito em caso de dúvida). O jogo é excelente e ocupa um cantinho especial no ❤️ junto com Catan (que terá sua review aqui em momento futuro).

O mercado de jogos de tabuleiro no Brasil melhorou um pouco com o surgimento de novas editoras (Galápagos, Conclave, Devir, Papaya, Rocky Raccoon, etc.) mas infelizmente é muito insuficiente ainda. Poucos editores trazem ou desenvolvem jogos bons e, quando conseguem, cobram muito caro! Além disso, o mercado está muito atrelado ao de brinquedos, o que dificulta ainda mais o crescimento desse tipo de indústria, como ocorreu com a Mattel que não vende mais seus jogos por aqui. Acontece também de uma editora lançar o jogo e depois descontinuá-lo, deixando os gameboarders a ver navios… Sem possibilidades de reposição de peças ou de lançamento de expansões como ocorreu com o Carcassonne, lançado pela GROW, que o descontinuou sem motivo aparente e depois passou a ser vendido pela Devir.

E ficamos por aqui. Quem quiser uma jogatina, pode chamar os tios. Precisamos conhecer outros jogos e brincar com os clássicos que temos em casa! Fica a dica.

* Ícaro é o gatinho da primeira foto.

Nota: 5,/5,0 (Diversão garantida).

Adquirido em: Alguma loja de brinquedos 😒.

Quanto paguei: R$149,90.

Editora: GROW.

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Sobre adsonamt

Advogado, servidor público, leitor inveterado, decidi criar esse blog para curtir um período sabático escrevendo sobre o que gosto de fazer. Minhas paixões: livros, chás, gatos, comida boa, música, board games e seriados (não necessariamente nesta ordem, depende da vibe do momento).

4 pensamentos sobre “Puerto Rico, de Andreas Seyfarth.

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