Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. 

A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.
Aldous Huxley

Olá Nerd!

Está confortável aí? Não? Então…

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Hoje vamos falar um pouco sobre uma obra clássica, da primeira metade do século passado, mas que faz seu leitor viajar para um futuro distópico.

Mas antes de iniciar, preciso fazer uma observação. Pensei em não fazer resenha dessa obra aqui no glorioso GN, pois, por ser um livro clássico, zilhares de outras pessoas já fizeram resenha, outros zilhares de pessoas já fizeram vídeo no YouTube, mas mudei de ideia por um motivo muito simples: esse tipo de obra, devido à sua qualidade magistral, DEVE ser divulgada SEMPRE e sua leitura deve ser estimulada por ser genialmente atemporal.

Aldous Huxley (1894 – 1963) parecia ser um cara a frente de seu tempo. O escritor britânico fazia parte da elite intelectual da Inglaterra, mas viveu boa parte de sua vida nos Estados Unidos, onde morreu. Sua maior obra, Admirável Mundo Novo, estaquetaquiatrás, MZHakk.gifapresenta fatos inimagináveis para a grande maioria da população de 1932, quando sua primeira edição foi lançada. Não quero falar muito sobre isso agora porque as distopias serão assunto de outro post.

Mas porque essa obra é tão aclamada e tão elogiada por todos os seus leitores? Simplesmente porque Huxley conseguiu abordar de maneira extrema, porém equilibrada, diversos fatores da sociedade que ele imaginou e isso causar muito desconforto ao leitor. De todas distopias que li, esta é a que mais consegue ir além em sua abordagem, é a que consegue abranger mais temas e possibilidades de estímulo ao pensamento. É a mais complexa e a que mais incomoda.

admiravel_mundo_novo_CAPA_lombada18mm.pdfEntão vamos lá! Vamos viajar para o Admirável Mundo Novo!

Imagine um futuro no qual as pessoas não se reproduzem mais por meio do sexo (deixam de ser vivíparas) e, por isso, ter família, pai e mãe era um absurdo, uma indecência, uma imoralidade, um tabu. As mulheres não engravidam pois o “sistema” cuida disso com medidas impeditivas da gravidez.

Imagine que os sentimentos como amor e amizade não importam muito, mas o consumismo sim, tanto é que este substitui a religião em certa medida.

Imagine que as mazelas do mundo como as doenças e os insetos não sejam mais problemas. E, por isso, e pelo uso de outros métodos, as pessoas atingem a expectativa de vida com o vigor físico e a aparência de pessoas jovens.

Imagine uma sociedade onde o sexo é recreação, estimulado desde a infância, por meio de jogos eróticos, e a promiscuidade é um valor, pois não há problemas em transar com várias pessoas.

Imagine que as pessoas sejam fabricadas em série, em fábricas, no estilo Henry Ford de ser. E que essas pessoas sejam condicionadas psicológica e biologicamente para compor castas (predestinação provocada artificialmente), organizadas hierarquicamente, dos alfas aos ipsolons, sendo aqueles a elite e estes a classe mais baixa, que recebe menos recursos em seu processo de fabricação e condicionamento, mas são os que trabalham mais.

Mas imagine que isso não causa revoltas, pois o sistema trata de manter a harmonia do povo, o bom trato entre as pessoas, que vivem num esquema comunitário no qual a solidão e o individualismo são diuturnamente desestimulados por meio de “esquemas de segurança” e do uso de um artifício químico (DORGAS gente! DORGAS! Huxley curtia um LSD!). Logo, neste mundo, todos são sempre felizes.

Imagine também que o conhecimento é de domínio exclusivo do governo e só a elite que detém o poder pode ter acesso ao que se produziu intelectualmente e cientificamente antes da implantação do sistema de dominação.

Imagine que aqueles que não conseguiram se adaptar ao condicionamento foram afastados da “civilização”, sendo destinados a viver em reservas como “selvagens”, onde podem praticar a religião, se reproduzirem naturalmente e ler Shakespeare.

pumE, por fim, imagine que a morte é algo sem importância, comparada a um PEIDO, sem bem que dependendo da potência, o pum passa a ser importante SIM.

Pois bem, esse é o Admirável Mundo Novo que é o cenário da história! Aquela situação que corria perfeitamente bem até que PAH! vem uma pessoa e contesta. E aí começa a magia!

E vou parar por aqui! Kkkkk! Se que saber o que acontece, quais são os personagens, leia o livro! Sério! Vale muito, muito, muito a pena!

Uma coisa que sempre penso quando leio um livro assim é se o autor pensou naquilo que dizemos que ele pensou, se houve mesmo uma intenção de fazer uma crítica ou se foi só uma disenteria criativa mesmo sem maiores intenções, MAAAAASSSS, ao ler Admirável Mundo Novo não tem como não pensar que Huxley não pensou em cada detalhe (alguém pode fazer a tabela-verdade?!), desde o nome dos personagens até a possibilidade da adoção do esquema industrial fordista para fabricar seres humanos.

Isso se deve à época em que a obra foi escrita, um tempo de grandes transformações e grandes crises, pois o mundo se recuperava de uma grande guerra e se preparava para a segunda, a tecnologia estava em pleno processo de aperfeiçoamento, a energia nuclear estava na moda, começava-se a desenhar uma nova ordem mundial, ou seja, não foi um início de século fácil.

No livro o leitor encontra referências a questões como o malthusianismo, o fordismo, o totalitarismo, a Jean Jacques Rousseau (o “bom selvagem”), ao estranhamento e à aculturação da Antropologia, ao comunismo, ao capitalismo…

Enfim, é uma obra densa, complexa, profunda e atemporal, pois apesar de ter sido escrita na década de 30, é visionária, o que a mantém atual e nos faz pensar em como nosso futuro depende de nossas decisões.

Conselho do tio: Mais uma vez, NÃO LEIA o prólogo antes de ler o livro! Parte para a história logo e lê o prólogo DEPOIS, mas NÃO DEIXE de ler o prólogo. Essas edições da Biblioteca Azul, selo da Editora Globo, parece pecar nesse aspecto, pois aconteceu o mesmo com Fahrenheit 451, que tinha spoilers violentos no prólogo!!! E não demora a ler! Põe logo na meta de leitura do ano!

Nota: 5,0/5,0 (muito mais do que RECOMENDADÍSSIMO).

Adquirido em: 16/06/2015.

Lido de 18/04 a 22/04/2016.

Formato: e-book.

Plataforma: meu querido Kindle.

Quanto paguei: incríveis R$7,42, na Amazon.

Livros relacionados: as distopias Fahrenheit 451, 1984, Jogador Nº 1, Guia do Mochileiro das Galáxias, Fundação, .

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14 comentários Adicione o seu

  1. Val disse:

    Adorei sua resenha. Muito elucidativa mesmo. Este livro está na atual coleção de clássicos da folha, eu comprei minha edição semana passada e estava um pouco receosa de ler, mas seu post me deu direção. Tenho outros na fila, mas qdo chegar a vez deste, estarei bem melhor fundamentada! Obrigada… Tb escrevo sobre livros, esta semana li O curioso caso de Benjamin Button, dê uma olhada se desejar: http://1pedranocaminho.wordpress.com
    Bjs e até a próxima!

    Curtido por 2 pessoas

    1. adsonamt disse:

      Obrigado pelo comentário! Tenho certeza de que vai gostar de Admirável Mundo Novo! Se eu fosse você faria ele furar a fila! Kkkk! Espero que continue curtindo meu blog que ainda é uma criancinha!

      Curtido por 1 pessoa

  2. gui massi disse:

    gratidão pela sua resenha, meu pai tem uma coleção de livros da abril cultural de 1982 que contém essa obra, comecei a ler, e sua resenha me clareou um pouco mais sobre o contexto da obra. sucesso no blog

    Curtido por 1 pessoa

    1. adsonamt disse:

      Obrigado pelo feedback!

      Curtir

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