TAG: Shippando leituras.

Desta vez vamos conversar sobre livros que se relacionam. Quais livros aí da sua estante você formaria um casal💏se eles fossem duas pessoas conhecidas?

Tenho percebido que muitas das leituras que tenho feito possuem algum elemento de conexão, seja diretamente na trama, seja no plano de fundo da história. Não que eu escolha os livros levando isso em conta, trata-se de pura coincidência.

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Ano passado li Jogador nº 1, obra que lançou Ernest Cline na literatura, cujo filme 📽tem estréia prevista para o próximo ano, com direção de ninguém menos que Steven Spielberg. O livro se passa em um futuro  distópico que retrata um mundo decaído, um mundo tão hostil que as pessoas preferem  (ou foram levadas a) viver imersas numa realidade virtual chamada OASIS, criada por James Halliday. Ocorre que Halliday possuía uma fortuna💰sem medidas e morre sem deixar herdeiros. Mas antes de morrer ele deixa seu testamento que provoca uma verdadeira caça ao tesouro, pois aquele que desvendasse todas as pistas escondidas no OASIS (easter eggs) e chegasse ao final do desafio, herdaria a fortuna. A história faz muitas referências a elementos interessantíssimos da cultura pop, como filmes📼, músicas,🎸 games👾, livros📚… (a trilha sonora do filme vai ser sensacional). O livro foi lançado em 2011 nas gringas e chegou por aqui em 2012.

Eu shippo Jogador nº 1 com  Guia do Mochileiro das Galáxias 🌌(resenha aqui), um clássico da ficção científica que já virou filme, e a conexão que eu faço é a de um mundo destruído, retratado de uma maneira bem humorada, diferentemente de Cline que traz uma visão mais melancólica da decadência da humanidade. Ambos os livros brincam com questões de poder, de demosntrações de força intelectual, política, econômica ou até mesmo da força bruta. Não há como não identificar também em ambas as obras elementos da filosofia, como o mito da caverna, e a estupidez de quem não consegue enxergar adiante do que quer ou do que lhe é permitido.

trilogia fundrevolução-dos-bichos

Outro par que shippo é Fundação (a trilogia), de Isaac Asimov com A Revolução dos Bichos🐶🐱🐭🐷🐮🦄, de George Orwell. Somente esta virou filme (por duas vezes, sendo uma delas uma animação). Essas obras retratam, nas entrelinhas, situações históricas de seu tempo. Fundação é do primeiro quinquênio da década de 50, pouco tempo depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Isso quer dizer que não havia a menor possibilidade de o autor não se influenciar pelo cenário de sua época. Interessante que durante a narrativa acontecem situações possíveis de serem identificadas na realidade de hoje com facilidade. Um exemplo é a maneira como Hari Seldon, o personagem psico-historador, tem seu significado alterado ao longo do curso da história daquela civilização interplanetária de Asimov criou. De um simples cientista🔬, ele passa a ser um ser místico🔮, um ídolo, e isso influencia a situação política por conta desse aspecto religioso. Os cientistas passaram a ser donos da verdade, sendo tratados como sacerdotes. Asimov foi genial em retratar como o curso da história faz com que as origens se transformem ao longo do tempo em algo totalmente diferente e desvirtuado da intenção inicial. Por exemplo, quando a Fundação se torna uma tirania, o que não era a intenção de Seldon, que imaginou e criou uma sociedade livre, igualitária e fraterna, com o objetivo de salvar a humanidade de uma grande catástrofe apenas com o uso da intelgência.

(ABRE PARÊNTESES) Aqui eu reafirmo o que já foi resenhado sobre Fundação aqui no blog pelo @etiojunior, e complemento sugerindo que o leitor se atente também ao plano de fundo da saga. Em cada um dos contos que formam a obra, o autor privilegia um aspecto, seja o político, o econômico, o da diplomacia, o da inteligência, o da religião, o que transforma a obra, ao final em um verdadeiro jogo psicológico com um final mais que surpreendente. (FECHA PARÊNTESES)

Mas tio, porque você shippa com A Revolução dos Bichos? Por que a fábula satírica de Orwell, também contemporânea ao fim da Segunda Grande Guerra, trata justamente da desvirtuação do discurso, das intenções iniciais de um pensamento e o que eles se tornam depois que os anos passam e os acontecimentos exigem, por interesses controversos, que se reinterprete esse pensamento. Trata de doutrinção, manipulação de massas e até mesmo do domínio do esquecimento alheio. É um crítica ao comunismo, com os elementos de corrupção e traição que ocorreram na Rússia de Stalin. Ao ler a obra, identificam-se personagens reais da história da humanidade tanto daquela época, quanto de hoje, tanto da gringa, quanto aqui de Banânia. Ambas as obras revelam como a história pode estar a favor de alguém quando seu grupo a manipula ao seu bel-prazer, quando este grupo a reescreve sem respeito ao que aconteceu na realidade e pior, sem respeito ao que o criador daquele pensamento quis dizer.

Ficam aqui, queridas e queridos nerds, 4 das melhores guloseimas que já consumi, e recomendo muito (muito mesmo) que leiam esses livros todos. Vale muito a pena, vocês não vão se arrepender.

E comentem aqui embaixo quais livros aí da sua prateleirinha, ou estantezona, ou da sua nuvem você shippa e por quê (confesso que pesquisei o uso dos “porques”).

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8 comentários em “TAG: Shippando leituras.

  1. Ainda estou no começo do livro “A garota no Trem” de Paula Hawkins, mas logo de cara, pela narrativa, pela trama de suspense e pela estrutura dos capítulos, este livro se casaria e teria filhos com o “Garota Exemplar” de Gillian Flynn, este já virou filme (com Ben Affleck), aquele também está sendo adaptado para o cinema e tem estreia prevista para este ano.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Nossa achei esse post muito legal.
    Quando li “A Revolução dos Bichos” gostei muito da critica que George Orwell joga na cara do leitor constantemente, esse é um dos pontos que me faz achar esse livro excelente. Ainda não tive oportunidade de ler “Fundação” mas provavelmente ele entrou pra lista dos que ainda irei ler futuramente.

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