Coleção Douglas Adams (Guia do Mochileiro das Glaláxias)

IMG_1844PRE-PA-RA que lá vem textão!!!

Douglas Adams é sem dúvidas um dos maiores expoentes da ficção científica e o seu diferencial é carregar a narrativa com bastante humor. Mas não é qualquer humor: é o humor pessimista, irônico, irreverente, daquele que ri da própria desgraça, subverte lógica e padrões e faz relações absurdas entre fatos ou coisas que, a princípio, nunca poderiam exercer qualquer influência entre si, como um fato irrelevante que acaba provocando um grande acontecimento.

Nascido no Reino Unido em 1952, iniciou a “trilogia de cinco livros” em 1979 com o aclamado Guia do Mochileiro das Galáxias, originado a partir de uma radionovela transmitida pela BBC no ano anterior.

Depois vieram os outros volumes: O Restaurante no Fim do Universo (1980), A Vida, o Universo e Tudo Mais (1982), Até Mais e Obrigado Pelos Peixes (1984) e Praticamente Inofensiva (1992).

Adams faleceu prematuramente em 2001 e sua viúva autorizou que outro autor (Eoin Colfer) escrevesse o “sexto livro da trilogia” chamado E Tem Outra Coisa (2009).

Essa resenha, no entanto, abrange somente a obra de Adams. E vale a pena pesquisar também sobre o Dia do Orgulho Nerd ou Dia da Toalha (dá uma googlada, vai lá!).

Guia do Mochileiro das Galáxias (assumi aqui o título do primeiro livro para me referenciar à coleção inteira) é uma aventura no universo que começa a partir de um dia ruim de um terráqueo azarado chamado Arthur Dent que, ao acordar de ressaca, se depara com uma notícia que iria mudar sua vida na Terra. Mas, em seguida, recebe outra notícia, pior ainda, de Ford Perfect – um ET infiltrado entre os terráqueos que veio temporariamente para a Terra coletar informações para a edição do Guia do Mochileiro das Galáxias e ficou por aqui indeterminadamente -, que muda sua vida para sempre, mas fora da Terra.

Assim, o azar (ou sorte) de Arthur Dent o torna um mochileiro das galáxias, e ele não teve outra alternativa a não ser partir para uma viagem no espaço-tempo em busca da resposta fundamental juntamente com Trillian/Tricia McMillan, Zaphod Beeblebrox e Ford Perfect. E depois em busca da pergunta fundamental… (kkkkk, esqueceram qual foi a pergunta).

A história é muito nonsense, cheia de metáforas, misturando elementos de ficção científica com humor, física, astronomia, filosofia, porém sua dinâmica prejudica a linearidade, confundindo o leitor em muitos pontos com o aparecimento e dasaparecimento repentino de personagens, ou mudança súbita de lugar e tempo.

Para alguns, isso é o charme da história, para outros, como eu, nem tanto. Talvez eu seja uma besta perfeitamente normal não tenha percebido direito as sutilezas do humor britânico ou não tenha acompanhado direito a genialidade do autor, mas já li outra obra de Adams (Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently) e também flopolei, voluí, glupei, vurfei, lurglei, flureoei, gluriei e uimeloei fiquei meio perdidão. Quem sabe um dia eu leia novamente e entenda melhor a lógica do autor.

O autor, que era ateu, lança mão de seu humor ácido para brincar também com política (quando revela para que serve um presidente) e religião (ironiza os profetas e o criacionismo). Ele se diverte também com a língua, criando novas palavras e tempos verbais (uma das partes mais engraçadas da série).

Existe um profeta chamado Zarquon, que é invocado todo o tempo, além de Slartibastfast, o designer de planetas que é especialista em desenhar litorais e fica frustrado pela destruição de suas obras.

A física também está presente nos livros, sobretudo a Teoria da Relatividade, que permeia todo o livro e proporciona momentos engraçados como esse:

“Durante milhares de anos, as naves majestosas atravessaram imensos espaços vazios intergalácticos, finalmente parando no primeiro planeta que encontraram, que era, por acaso, a Terra; e lá, devido a um erro colossal de escala, toda a frota foi acidentalmente engolida por um cachorrinho”.

A filosofia também, como quando ele se remete mais de uma vez à alegoria do mito da caverna. Muitas mensagens subliminares não são percebidas de imediato, mas em sua maioria revelam sutilmente o quanto o ser humano é pequeno diante do universo, o quanto é ignorante, vil e mesquinho.

Parece que o foco do autor não foi contar uma história completa, mas contar as histórias da história, que nem sempre têm como fim contribuir com o enredo da obra, mas apenas exemplificar um assunto acessório, o que deixa também o enredo com uma lógica meio repetitiva.

Os pontos altos da história ficam mesmo por conta dos personagens secundários, por exemplo:

  • Marvin, um robô maníaco-depressivo extremamente carismático, quase suicida que sente dores crônicas nos diodos esquerdos.
  • Tem também a nave Coração de Ouro, superdotada de inteligência artificial, movida por um gerador de improbabilidade infinita, com suas portas muitíssimo educadas, e controlada por Eddie, um computador irritantemente simpático, amigável e temperamental e que foi roubada por Zaphod, o ex-presidente das galáxias, que fugiu com ela no dia de seu lançamento.
  • O relacionamento de Ford Perfect com sua toalha também rende momentos muito engraçados assim como quando ele conhece Colin, um pequeno robô mais do que extremamente feliz que o ajuda no último livro.
  • Os Vogons, que são os vilões da história, são extraterrestres horrorosos e são péssimos poetas, e usam sua “arte” para torturar seus prisioneiros.
  • Os ratos, os golfinhos, a vaca que se oferece pro jantar… enfim, perceba, querido leitor, não apenas pessoas são personagens e têm vida ou consciência na série Guia do Mochileiro das Galáxias, mas também animais, objetos e comidas.

Não vou fazer uma resenha individualizada de cada livro, mas o objetivo aqui foi mesmo dar uma impressão geral, já que li a coleção toda em sequência volta trema!.

O primeiro livro deu origem ao filme homônimo, ainda não assisti, mas atualizo esse post quando isso acontecer.

Conselho do tio: se você estiver sem paciência, leia apenas o primeiro e o último livro. Ou leia a série intercalada com outras leituras.

Nota: 3,5/3,5 (pelo conjunto da obra, vale a pena).

Adquirido em: 8/10/2014, na Amazon.

Lido de 10 a 25/02/2016.

Formato: e-book.

Plataforma: Kindle.

Quanto paguei: R$ 37,99 (pela coleção inteira).

Livros relacionados: Operação Cavalo de Tróia (J. J. Benitez), Jogador Nº 1 (Ernest Cline), Eu, Robô (Isaac Asimov). Critério de relação: viagem no tempo e no espaço, ciência, tecnologia e cultura pop.

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6 comentários em “Coleção Douglas Adams (Guia do Mochileiro das Glaláxias)

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